Comissão Especial de Advocacia Multiportas debate atuação resolutiva e articula evento nacional

A Comissão Especial de Advocacia Multiportas da OAB Nacional se reuniu nesta quinta-feira (27/8) e debateu a responsabilidade da advocacia na escolha do caminho mais adequado para cada conflito. O colegiado, conduzido pela presidente Eunice Schlieck, também iniciou a articulação de um evento nacional para ampliar o debate sobre a atuação resolutiva.

As discussões se concentraram na postura profissional do advogado diante do leque de instrumentos disponíveis — negociação, mediação, atuação extrajudicial e processo judicial —, avaliados sob a ótica das Sete Portas de Conexão: as dimensões racional, emocional, relacional, simbólica, social, contextual e existencial que compõem cada conflito e orientam a escolha da estratégia mais adequada.

O debate reafirmou o servir como princípio central da advocacia multiportas: servir bem o cliente nem sempre significa concordar com o que ele traz, podendo exigir também a imposição de limites. Um dos integrantes do colegiado relacionou o tema à própria trajetória, destacando como as reuniões da comissão o levaram a resgatar leituras filosóficas e a ampliar sua reflexão sobre os casos e sobre o direito como instrumento de controle social.

Eunice Schlieck destacou que a escolha do caminho depende do contexto, dos riscos e dos efeitos de cada estratégia, especialmente em conflitos familiares, casos de bioética e outras situações sensíveis. Os integrantes também defenderam que o advogado preserve a independência técnica diante das expectativas do cliente e evite contribuir para o agravamento das relações, sem assumir emocionalmente o conflito ou estimular comportamentos vingativos.

Outro tema foi o impacto da inteligência artificial sobre a profissão. A tecnologia contribui para atividades burocráticas e para a qualidade formal de petições e defesas, mas essa mesma facilidade pode estimular a judicialização por profissionais sem conhecimento aprofundado da matéria. Por isso, habilidades como oralidade, diálogo, articulação institucional e compreensão do contexto tendem a ganhar ainda mais relevância.

Como encaminhamento, a comissão começou a reunir sugestões para a realização de um evento nacional sobre advocacia multiportas, com foco em experiências concretas, atuação em crises e as transformações provocadas pela inteligência artificial.