OAB Cachoeiro registra casa cheia em formação sobre IA

Imersão com Raphael Cardoso, realizada nesta quarta-feira (4), repetiu o sucesso da palestra promovida na noite anterior

A inteligência artificial mobilizou a advocacia regional e lotou, por dois dias consecutivos, o auditório Sergio Bermudes, na sede da 2ª Subseção da OAB-ES, em Cachoeiro de Itapemirim. O treinamento presencial “Advogado 6.0, Inteligência Artificial na Prática”, realizado nesta quarta-feira (4), confirmou o interesse dos profissionais pelas novas tecnologias aplicadas ao Direito. A atividade, conduzida pelo advogado Raphael Cardoso, especialista em Marketing Jurídico e Inteligência Artificial, reuniu participantes para uma imersão de seis horas dedicada à utilização prática de ferramentas tecnológicas nos escritórios. O resultado repetiu o sucesso da palestra “Introdução à Inteligência Artificial para Advogados”, realizada na noite anterior (3), que também registrou lotação máxima.

As duas atividades integraram a programação de capacitação profissional desenvolvida pela 2ª Subseção em parceria com a Escola Superior de Advocacia da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Espírito Santo (ESA OAB-ES). A proposta foi oferecer oportunidades distintas de aprendizado sobre uma tecnologia que vem modificando a organização dos escritórios, a elaboração de documentos e a maneira como profissionais do Direito lidam com grandes volumes de informação. A elevada participação demonstrou a procura por conhecimentos que possam ser incorporados ao cotidiano da advocacia, especialmente diante da expansão das ferramentas de inteligência artificial generativa.

O treinamento desta quarta-feira começou às 9h e foi estruturado como uma imersão prática. Diferentemente de uma palestra convencional, a programação procurou aproximar os participantes das possibilidades de utilização da inteligência artificial em atividades jurídicas e administrativas. O conteúdo contemplou o emprego de ferramentas tecnológicas, a construção de comandos para sistemas de IA, a análise de documentos, a organização de informações e o desenvolvimento de fluxos de trabalho destinados à automação de determinadas tarefas. A proposta foi permitir que os profissionais compreendessem como transformar conhecimentos teóricos em aplicações relacionadas às necessidades de seus escritórios.

Um dos assuntos centrais da capacitação foi a elaboração de comandos conhecidos como “prompts”, instruções fornecidas aos sistemas de inteligência artificial para orientar a execução de tarefas. A qualidade dessas solicitações influencia diretamente a utilidade das respostas produzidas pelas ferramentas, especialmente quando o objetivo é organizar documentos, sistematizar informações ou desenvolver materiais destinados à análise jurídica. Para advogados e advogadas, aprender a formular comandos claros, estabelecer parâmetros e avaliar os resultados constitui uma habilidade importante para a utilização responsável dessas tecnologias.

A automação de atividades repetitivas também integrou a proposta do treinamento. Sistemas de inteligência artificial podem auxiliar na classificação de documentos, na organização de dados, na preparação de versões preliminares de textos e na execução de procedimentos administrativos. Essas possibilidades permitem que determinadas etapas do trabalho sejam realizadas com maior agilidade, liberando tempo para atividades que dependem diretamente do conhecimento jurídico e da capacidade de avaliação profissional. A utilização desses recursos, entretanto, exige atenção às limitações da tecnologia e à necessidade de supervisão humana.

A formação conduzida por Raphael Cardoso também contemplou questões relacionadas à ética, à segurança e à responsabilidade profissional. No ambiente jurídico, o uso de ferramentas automatizadas envolve cuidados específicos, sobretudo quando há tratamento de informações pessoais, documentos confidenciais ou dados protegidos pelo sigilo profissional. Outro risco está relacionado à possibilidade de os sistemas apresentarem respostas incorretas, referências jurisprudenciais inexistentes ou interpretações jurídicas inadequadas. Por isso, a utilização da inteligência artificial deve ser acompanhada de conferência das informações e avaliação crítica dos resultados apresentados.

O interesse pela abordagem prática já havia sido antecipado na noite de terça-feira (3). Na ocasião, o auditório Sergio Bermudes também ficou lotado para a palestra “Introdução à Inteligência Artificial para Advogados”, iniciada às 18h30. A atividade foi destinada especialmente aos profissionais que desejavam conhecer os fundamentos da tecnologia e compreender suas possibilidades de aplicação na advocacia. A programação não exigia experiência anterior com sistemas de inteligência artificial e apresentou uma oportunidade de aproximação inicial com ferramentas que passaram a ocupar espaço crescente no mercado jurídico.

A realização dos dois encontros em formatos diferentes permitiu contemplar profissionais com níveis distintos de familiaridade com a tecnologia. Enquanto a palestra de terça-feira abordou conceitos essenciais, aplicações e cuidados relacionados ao uso da inteligência artificial, o treinamento de quarta-feira foi voltado ao desenvolvimento de habilidades práticas. A combinação das atividades possibilitou uma sequência de aprendizado, partindo da compreensão dos recursos disponíveis para o estudo de procedimentos que podem ser utilizados na rotina profissional.

Durante o treinamento desta quarta-feira, o presidente da 2ª Subseção da OAB-ES, Henrique da Cunha Tavares, destacou a importância da parceria institucional para a realização da programação. Ao lado da presidente da Seccional capixaba, Erica Ferreira Neves, ele agradeceu o apoio recebido da Escola Superior de Advocacia e ressaltou a receptividade da instituição à proposta de levar o tema à advocacia regional. “Foi pedir e a ESA na hora comprou a ideia”, afirmou o presidente Henrique Tavares, ao reconhecer a contribuição da Escola para a concretização das atividades.

Na mesma manifestação, ele relacionou a iniciativa ao compromisso da Ordem com a oferta de conhecimentos efetivamente relevantes para o exercício profissional. Segundo o presidente, a participação da ESA permitiu concretizar uma proposta que acompanha as prioridades defendidas pela gestão da 2ª Subseção, especialmente a realização de atividades capazes de oferecer aos advogados e advogadas conhecimentos atualizados sobre os desafios contemporâneos da profissão. A presença da presidente Erica Neves no treinamento também reforçou a articulação entre a Subseção e a Seccional na promoção de oportunidades de qualificação no interior do Estado.

Responsável pelas duas atividades, Raphael Cardoso é advogado, palestrante e empresário com atuação voltada ao Marketing Jurídico e à aplicação da inteligência artificial na advocacia. Seu trabalho está relacionado à capacitação de profissionais interessados na modernização dos escritórios e no aperfeiçoamento de rotinas por meio de recursos tecnológicos. Em Cachoeiro de Itapemirim, a programação foi organizada para apresentar tanto os fundamentos da inteligência artificial quanto possibilidades de aplicação prática, com atenção às exigências éticas que caracterizam o exercício da profissão.

O interesse registrado nos dois encontros com Raphael Cardoso também se relaciona com a agenda recente de capacitação promovida pela Diretoria e pelo Conselho da 2ª Subseção. Em 15 de outubro, por exemplo, o auditório Sergio Bermudes ficou lotado durante o curso Tipografia Jurídica, ministrado por Júlio Xavier. A atividade abordou técnicas de apresentação visual e organização das informações em documentos jurídicos, com o objetivo de contribuir para a clareza da comunicação e a elaboração de peças processuais mais eficientes. Assim como ocorreu com a programação sobre inteligência artificial, o encontro demonstrou a procura por conhecimentos que possam produzir resultados concretos na rotina dos escritórios.

Outras iniciativas realizadas ao longo de 2026 reforçam essa prioridade institucional. Em maio, o I Congresso da Advocacia Sul Capixaba reuniu dezesseis palestrantes e promoveu discussões sobre temas relacionados às transformações da profissão, incluindo provas digitais, julgamentos virtuais e novas tecnologias. Em agosto, a Subseção também realizou uma capacitação dedicada aos efeitos práticos da reforma tributária, que teve as inscrições encerradas antecipadamente em razão do preenchimento das vagas. A sequência de atividades evidencia a intenção de oferecer formação continuada em assuntos que exigem atualização técnica e acompanhamento das mudanças legislativas e tecnológicas.

Para a advocacia dos municípios de Cachoeiro de Itapemirim, Atílio Vivácqua, Vargem Alta, Muqui e Mimoso do Sul, a realização dessas capacitações representa uma oportunidade de acesso a conhecimentos especializados sem a necessidade de deslocamento para a região metropolitana. A interiorização da formação profissional permite aproximar advogados e advogadas das discussões que estão transformando a prestação dos serviços jurídicos, além de contribuir para a valorização da profissão e para o fortalecimento das atividades desenvolvidas pelos escritórios da região.

A lotação do auditório Sergio Bermudes na terça e na quarta-feira consolidou o resultado positivo da programação organizada pela 2ª Subseção e pela ESA OAB-ES. Mais do que a procura pelas atividades, a participação registrada nos dois dias demonstra o interesse da advocacia regional em compreender as mudanças tecnológicas e desenvolver competências para utilizá-las de maneira eficiente e responsável. Com a realização da palestra introdutória e do treinamento prático, a Subseção deu continuidade à sua agenda de qualificação profissional e reforçou o compromisso de preparar advogados e advogadas para um ambiente jurídico no qual o domínio da tecnologia precisa caminhar ao lado da ética, da segurança e do conhecimento técnico.