A 2ª Subseção da OAB-ES abriu inscrições para duas novas atividades presenciais sobre o uso da inteligência artificial (IA) na advocacia, que serão realizadas nos próximos dias 3 e 4 de novembro, no auditório Sergio Bermudes, em Cachoeiro de Itapemirim. A programação terá como palestrante o advogado Raphael Cardoso, especialista em Marketing Jurídico e Inteligência Artificial, e foi organizada em duas propostas distintas de capacitação profissional. Na terça-feira (3), às 18h30, será realizada a palestra “Introdução à Inteligência Artificial para Advogados”, com inscrição de R$ 50,00. Na quarta-feira (4), a partir das 9h, acontecerá o treinamento “Advogado 6.0, Inteligência Artificial na Prática”, com seis horas de atividades e investimento de R$ 500,00.
A primeira atividade será destinada à apresentação dos conceitos essenciais da inteligência artificial e das possibilidades de utilização dessas ferramentas no exercício profissional. A proposta é oferecer aos participantes uma visão introdutória sobre os recursos tecnológicos disponíveis, suas aplicações na rotina dos escritórios e as oportunidades de melhoria da produtividade. O conteúdo também contempla questões relacionadas à segurança das informações, à ética e à responsabilidade profissional. Segundo a divulgação da 2ª Subseção, não será necessário possuir experiência prévia com inteligência artificial para acompanhar a palestra.
O segundo encontro terá uma abordagem mais aprofundada. Programado para a manhã de quarta-feira, o treinamento “Advogado 6.0” será desenvolvido no formato de imersão prática, com atividades destinadas a demonstrar como transformar conhecimentos sobre inteligência artificial em aplicações concretas no cotidiano da advocacia. Ao longo das seis horas de formação, Raphael Cardoso apresentará ferramentas e orientações para a construção de comandos, análise de documentos, organização de informações e desenvolvimento de fluxos de trabalho que permitam automatizar determinadas tarefas. A programação prevê material de apoio e certificado de participação, com vagas limitadas.
A diferença entre as duas atividades está, portanto, na profundidade e na metodologia de ensino. Enquanto a palestra de terça-feira pretende apresentar os fundamentos da inteligência artificial e demonstrar suas possibilidades de utilização, o treinamento de quarta-feira será destinado ao desenvolvimento de habilidades práticas. O formato anunciado pela Subseção prevê que os participantes realizem exercícios e tenham contato com procedimentos que poderão ser posteriormente incorporados à organização dos escritórios. As inscrições são independentes, permitindo que cada profissional escolha a modalidade mais adequada aos seus conhecimentos e interesses.
Entre os conteúdos previstos para o treinamento está a elaboração de comandos conhecidos como “prompts”, instruções fornecidas aos sistemas de inteligência artificial para orientar a execução de determinadas atividades. A construção adequada desses comandos é um dos fatores que influenciam a qualidade das respostas produzidas pelas ferramentas, especialmente quando são utilizadas para organizar informações, analisar documentos ou preparar versões preliminares de textos. Para a advocacia, compreender como formular solicitações claras, estabelecer parâmetros e conferir os resultados representa uma etapa importante da utilização responsável desses recursos.


A automação de tarefas repetitivas também integra a proposta apresentada pela 2ª Subseção. Ferramentas de inteligência artificial podem contribuir para atividades como classificação documental, sistematização de informações, organização de dados e preparação de materiais destinados à análise profissional. O aproveitamento dessas possibilidades, entretanto, exige conhecimento sobre as limitações da tecnologia e atenção à necessidade de revisão humana. A utilização de sistemas automatizados não elimina a responsabilidade do advogado pela interpretação jurídica, pela definição de estratégias ou pela veracidade das informações apresentadas em documentos e manifestações processuais.
Responsável pelas duas atividades, Raphael Cardoso é advogado, palestrante e empresário com atuação nas áreas de Marketing Jurídico e Inteligência Artificial. Seu trabalho está relacionado à capacitação de profissionais do Direito interessados na modernização dos escritórios e na utilização de ferramentas tecnológicas para aperfeiçoamento das rotinas administrativas e jurídicas. A experiência do palestrante será apresentada em duas abordagens complementares, permitindo tanto uma aproximação inicial com o assunto quanto o aprofundamento em aplicações práticas de inteligência artificial.
A relevância dessa formação está diretamente associada às transformações que vêm modificando a prestação dos serviços jurídicos. A expansão das ferramentas de inteligência artificial generativa ampliou as possibilidades de produção e organização de informações, mas também introduziu desafios relacionados à confiabilidade dos resultados, à proteção de dados pessoais, ao sigilo profissional e à responsabilidade pelos conteúdos produzidos. No ambiente jurídico, esses cuidados assumem importância particular porque a utilização inadequada de informações pode comprometer direitos dos clientes e a própria regularidade da atuação profissional.
A Ordem dos Advogados do Brasil acompanha esse debate em âmbito nacional. Em novembro de 2024, o Conselho Federal da OAB aprovou recomendações para orientar a utilização da inteligência artificial generativa na prática jurídica, estabelecendo diretrizes relacionadas à legislação aplicável, à confidencialidade, à privacidade, à ética profissional e à comunicação com os clientes. O documento chama a atenção para a necessidade de supervisão humana e para a impossibilidade de transferir aos sistemas automatizados responsabilidades que pertencem aos profissionais da advocacia. As orientações também destacam os riscos associados à produção de informações incorretas e ao tratamento inadequado de dados protegidos pelo sigilo.
Em junho deste ano, o Conselho Federal avançou nessa agenda com o lançamento do Plano Nacional de Integração da Inteligência Artificial na Advocacia. A iniciativa pretende ampliar o acesso às novas tecnologias, promover capacitação profissional e estabelecer parâmetros para sua utilização ética e segura. A proposta também busca reduzir desigualdades tecnológicas entre profissionais que atuam em diferentes regiões do país e escritórios de diferentes portes.

A preocupação com os limites da tecnologia voltou a ser discutida pelo Conselho Federal na última quinta-feira (15), durante reunião da Comissão Especial da Advocacia Multiportas. O colegiado debateu riscos relacionados à utilização de respostas produzidas por sistemas de inteligência artificial sem a necessária verificação, além dos efeitos da dependência tecnológica sobre a autonomia intelectual dos advogados. Também foram abordados aspectos da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e a importância de preservar o discernimento humano na condução das atividades jurídicas. Essas questões reforçam a necessidade de combinar conhecimentos técnicos com a compreensão das responsabilidades inerentes à profissão.
A programação com Raphael Cardoso dará continuidade à agenda de qualificação profissional desenvolvida pela Diretoria e pelo Conselho da 2ª Subseção da OAB-ES. Na última quinta-feira (15), por exemplo, o auditório Sergio Bermudes ficou lotado durante o curso Tipografia Jurídica, ministrado por Júlio Xavier. A capacitação abordou técnicas de organização visual e apresentação das informações em documentos jurídicos, demonstrando como a clareza da comunicação pode contribuir para a elaboração de peças processuais mais eficientes. O encontro registrou elevada procura desde a abertura das inscrições, confirmando o interesse da advocacia regional por conhecimentos aplicáveis à rotina dos escritórios.
Em maio, durante o I Congresso da Advocacia Sul Capixaba, a inteligência artificial já havia integrado a programação de debates promovidos pela Subseção. O evento reuniu dezesseis palestrantes e colocou em discussão temas como provas digitais, julgamentos virtuais e os impactos das novas tecnologias em diferentes áreas do Direito. Em agosto, a instituição também promoveu uma capacitação sobre os efeitos práticos da reforma tributária, que teve as inscrições encerradas antecipadamente após o preenchimento das vagas disponíveis. Essas iniciativas integram uma política de formação continuada voltada ao aprimoramento técnico e à valorização da advocacia regional.
Para os advogados e advogadas dos municípios de Cachoeiro de Itapemirim, Atílio Vivácqua, Vargem Alta, Muqui e Mimoso do Sul, as atividades de novembro representam duas oportunidades de atualização sobre um assunto que tende a ocupar espaço cada vez maior no exercício profissional. A possibilidade de escolher entre uma introdução aos fundamentos da inteligência artificial e um treinamento voltado à aplicação prática amplia as alternativas de participação, contemplando profissionais que estão começando a conhecer essas ferramentas e aqueles interessados em desenvolver conhecimentos mais específicos.
As inscrições para a palestra “Introdução à Inteligência Artificial para Advogados”, marcada para terça-feira (3), às 18h30, devem ser realizadas por meio do formulário eletrônico disponibilizado pela 2ª Subseção da OAB-ES. O investimento é de R$ 50,00. Já os interessados no treinamento presencial “Advogado 6.0, Inteligência Artificial na Prática”, programado para quarta-feira (4), a partir das 9h, com seis horas de atividades e investimento de R$ 500,00, podem solicitar informações e inscrição pelo WhatsApp “(28) 3522-5540” ou pelo endereço eletrônico “oabcachoeiro@gmail.com”. Ambos os encontros acontecerão no auditório da sede da Subseção, na Avenida Monte Castelo, nº 96, bairro Independência, em Cachoeiro de Itapemirim. A programação oferece à advocacia regional a oportunidade de compreender melhor os recursos da inteligência artificial e avaliar como utilizá-los de maneira eficiente, responsável e segura.















