ENCONTRO DA JOVEM ADVOCACIA DO SUDESTE ACONTECEU EM GUARAPARI
Postado em: 27/09/2016
O primeiro dia do Encontro da Jovem Advocacia do Sudeste, nessa sexta-feira (23), organizado pela Comissão Estadual de Advogados em Início de Carreira da OAB-ES, foi um sucesso com a presença de representantes das CAICs do Estado, presidentes de Subseções e o representante da jovem advocacia do Conselho Federal, Alexandre Mantovani.
Com o auditório lotado os trabalhos foram iniciados em Guarapari pelo secretário-geral da Ordem, Ricardo Brum, que falou em nome da OAB-ES na ausência do presidente Homero Mafra, que participava do Colégio de presidentes em Maceió. “Nunca devemos perder a capacidade de sonhar, porque é o sonho que faz com que a gente se mova e que possamos lutar contra aquilo que achamos que não está certo. Essa é a marca da jovem advocacia, é a capacidade de olhar para as coisas que não são justas e lutar para que elas efetivamente mudem, é a capacidade de se indignar, de efetivamente tentar fazer as coisas diferentes. Sonhar é isso, é olhar para o melhor. E é isso que você, Natálya, tem feito, quando fala que não perdeu o sonho de fazer justiça, você faz com que a gente lute efetivamente por um país mais justo e melhor. É esse sonho que não podemos perder independente do tempo de formados”, declarou Ricardo Brum.
O secretário geral disse também: “O Brasil tem uma juventude brilhante. Nós somos um país que acabou de passar pelo segundo processo de impeachment em 24 anos, e 15 dias depois estamos em um seminário discutindo leis, o que é sinal de amadurecimento da nossa sociedade, de que essa jovem advocacia vai, ao longo do tempo, fazer a diferença. Vivemos em um país maduro. Concordando ou discordando do processo de impeachment estamos debatendo e não guerrilhando e isso é sinal do amadurecimento da nossa democracia, defendida pela OAB e por todos nós advogados”, finalizou.
Ao falar para os participantes do Encontro a presidente da CEAIC, Natálya Assunção, lembrou uma frase do presidente do Conselho Federal, Claudio Lamachia, dizendo que a jovem advocacia é o futuro desse país, e pontuou dizendo: “somos o presente também. Somos nós que movemos a máquina, estamos nos balcões dos fóruns, estamos na linha de frente, nós que sofremos diariamente aviltamento dos nossos horários, das nossas prerrogativas e temos que ser incansáveis para a valorização da nossa classe. Precisamos não só do ano da mulher advogada, e exalto aqui com imenso prazer o trabalho brilhante da nossa conselheira federal Flávia Brandão, presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-ES, que luta pela valorização da mulher advogada e contribui em todas as ações da jovem advocacia, mas precisamos de muito mais. Parafraseando o Presidente Homero Mafra, defensor incansável da advocacia, tenho orgulho de dizer que amo ser advogada. Não podemos desanimar e nos acomodar. Somos a voz da sociedade civil, somos defensores da sociedade!”
O representante da jovem advocacia do Conselho Federal, Alexandre Mantovani, se pronunciou dizendo que estar honrado por participar do evento no Espírito transmitiu a mensagem do presidente Lamachia, que enviou um grande abraço a todos. Mantovani falou sobre o Plano Nacional da Jovem Advocacia e suas metas.
Depois da abertura solene o palestrante Maurício Gieseler falou sobre advogados nas redes sociais.
No sábado, o presidente da OAB-ES, Homero Junger Mafra, discursou para os jovens advogados na abertura do segundo dia do Encontro do Sudeste, em Guarapari, e afirmou que “é preciso que se faça a junção da experiência dos mais antigos com o saber da juventude que enfrenta com coragem os desafios. Eu nunca poderia imaginar que em pleno sábado nós tivéssemos tantos jovens discutindo os destinos da advocacia brasileira”, declarou.
Homero Mafra informou que os presidentes de Seccionais reunidos em Maceió decidiram fazer a alteração do nome da Conferência dos Advogados para Conferência Nacional da Advocacia. “Se estamos maduros para vencer esse desafio de concretizar a igualdade, começo a perceber que estamos maduros para vencer a Cláusula de Barreiras ou, pelo menos, para reduzi-la em patamar compatível com a necessidade que temos da participação da jovem advocacia no destino da Ordem. Tenho certeza que daqui a algum tempo não teremos a necessidade dos cinco anos para integrar o Conselho Seccional”, enfatizou Mafra.
Ainda em seu discurso o presidente citou a questão dos prazos nos Juizados Especiais, que precisam ser discutidas e a violação de prerrogativas. Além disso, Homero Mafra chamou a atenção para o debate sobre os rumos que o país terá. “Não são discursos salvacionistas que vão combater a corrupção. Nós temos agora novos heróis que pregam 10 medidas e dizem que sem elas não se combate a corrupção. O momento não é de salvação, nós não precisamos de medidas salvacionistas, nós precisamos de respeito à Constituição, às liberdades públicas, às garantias asseguradas a todos.”
“E agora a decisão do TRF4, que é um absurdo, dizendo que como a Lava Jato é uma situação especial o tratamento dado a ela tem que ser especial, ou seja, a violação do Estado Democrático de Direito em nome de um combate à corrupção. É esse o preço que o país tem que pagar? Não pode ser. Nós saímos da ditadura dos militares para vivermos hoje a ditadura de um Judiciário que não se impõe, porque o papel do Judiciário e do STF é respeitar a Constituição e não anular por decisão o mandamento constitucional que diz que ninguém será privado de sua liberdade, ninguém será levado ao cárcere sem o Trânsito em julgado da decisão condenatória. Assusta viver em um país em que o Supremo não cumpre a Constituição. Nós temos que combater a corrupção e ninguém nunca ouviu um advogado defender atos de corrupção. Ninguém tem um patrimônio da defesa da moralidade e a advocacia não é depositária dos ataques à moralidade pública”, frisou.
Finalizando seu pronunciamento o presidente da OAB-ES salientou que não se pode fazer reforma estruturante como é a reforma da educação, do ensino médio, por meio de medida provisória. “Isso inibe o debate e proíbe o fluxo de ideias, da mesma forma nós dizemos que o caos econômico que o país atravessa não pode ser curado com a supressão de direito da classe trabalhadora, não é suprimindo os direitos dos trabalhadores que vamos consertar as mazelas do país.”
“Como é bom estar com a jovem advocacia. Que bom estar em Guarapari no meio do futuro da advocacia”, completou Homero Mafra.
Após a manifestação do presidente os participantes ouviram a palestra do advogado, ex-conselheiro federal e ex-presidente da OAB Minhas Gerais, Raimundo Cândido Junior. Para o site da Ordem Raimundo frisou que os novos advogados estão atualizados e preparados para assumir o compromisso com a advocacia. “Tenho certeza que os jovens profissionais farão acontecer em plenitude a vitória da advocacia. Enquanto presidente da OAB Minas Gerais, lamentando a cláusula de barreiras que impede o advogado com até cinco anos de inscrição de exercer cargos eletivos na OAB, criamos em Minas a OAB jovem que se expandiu em todo o Brasil. O idealizador da OAB jovem, Luiz Cláudio Chaves, passou pela tesouraria da ordem, pela vice presidência da Seccional mineira e agora é o vice-presidente da OAB nacional. Isso quer dizer que esse é o lugar dos jovens, eles tem que ocupar este espaço.”